19 frases de Lélia Gonzalez para conhecer mais sobre essa antropóloga

A penúltima de 18 irmãos, filha de ferroviário e mãe indígena, Lélia Gonzalez nasceu em Minas Gerais, em 1935. Graduada em história e filosofia, Lélia concluiu o mestrado em comunicação social, doutorou-se em antropologia e dedicou-se às pesquisas sobre a temática de gênero e etnia. Conheça um pouco mais do pensamento dessa estudiosa com essas frases de Lélia Gonzalez!

Frases de Lélia Gonzalez que trazem reflexões profundas sobre a sociedade como um todo

A gente não nasce negro, a gente se torna negro. É uma conquista dura, cruel e que se desenvolve pela vida da gente afora.

A gente não nasce negro, a gente se torna negro. É uma conquista dura, cruel e que se desenvolve pela vida da gente afora.

Você tem uma gama enorme de classificação, e nada mais que um estilhaçamento da identidade da etnia subordinada. Isto é, você estabelece um continuum de cor e quanto “mais clarinho” você for, mais próximo está do poder.

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Essa identidade negra não é uma coisa pronta, acabada. Então, para mim, uma pessoa negra que tem consciência de sua negritude está na luta contra o racismo. As outras são mulatas, marrons, pardos etc.

Portanto, nosso lema deve ser: organização já!

Portanto, nosso lema deve ser: organização já!

Ao reivindicar nossa diferença enquanto mulheres negras, enquanto amefricanas, sabemos bem o quanto trazemos em nós as marcas da exploração econômica e da subordinação racial e sexual.

A mulher negra é responsável pela formação de um inconsciente cultural negro brasileiro. Ela passou os valores culturais negros, a cultura brasileira é eminentemente negra, esse foi seu principal papel desde o início.

A única saída que eu encontrei para superar estes problemas foi ser a primeira aluna da sala. É aquela história, “ela é pretinha, mas é inteligente”.

A única saída que eu encontrei para superar estes problemas foi ser a primeira aluna da sala. É aquela história, “ela é pretinha, mas é inteligente”.

É importante ressaltar que emoção, a subjetividade e outras atribuições dadas ao nosso discurso não implicam na renúncia à razão, mas, ao contrário, num modo de torná-la mais concreta, mais humana e menos abstrata e/ou metafísica. Trata-se, no nosso caso, de uma outra razão.

Por que o negro é isso que a lógica da dominação tenta (e consegue muitas vezes, nós o sabemos) domesticar? E o risco que assumimos aqui é o do ato de falar com todas as implicações.

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Em razão disto é ir à luta e garantir os nossos espaços que, evidentemente, nunca nos foram concedidos.

Em razão disto é ir à luta e garantir os nossos espaços que, evidentemente, nunca nos foram concedidos.

O que existe no Brasil, efetivamente, é uma divisão racial do trabalho. Por conseguinte, não é por coincidência que a maioria quase absoluta da população negra brasileira faz parte da massa marginal crescente.

Temos que estabelecer tarefas dentro de um campo concreto e rapidinho desenvolver uma militância muito ativa junto às próprias comunidades negras espalhadas pelo Brasil.

Para nós, o racismo se constitui como a sintomática que caracteriza a neurose cultural brasileira.

Para nós, o racismo se constitui como a sintomática que caracteriza a neurose cultural brasileira.

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Palmares é um exemplo livre e físico de uma nacionalidade brasileira, uma nacionalidade que está por se constituir.

Temos que nos voltar para dentro do quilombo e nos organizarmos melhor no sentido de dar um instrumental para esses que vão chegar e vão continuar o nosso trabalho.

No momento em que começamos a falar do racismo e suas práticas em termos de mulher negra, já não houve mais unanimidade (sobre a percepção de Lélia Gonzalez das dificuldades de certas intersecções entre o movimento negro e o movimento de mulheres, duas frentes nas quais ela atuava)

No momento em que começamos a falar do racismo e suas práticas em termos de mulher negra, já não houve mais unanimidade (sobre a percepção de Lélia Gonzalez das dificuldades de certas intersecções entre o movimento negro e o movimento de mulheres, duas frentes nas quais ela atuava)

Estamos cansados de saber que nem na escola, nem nos livros onde mandam a gente estudar, não se fala da efetiva contribuição das classes populares, da mulher, do negro do índio na nossa formação histórica e cultural.

A questão do etnocentrismo está presente em qualquer cultura. Na medida em que você é socializado, você recebeu uma carga cultural muito grande, e você vai olhar o mundo através dessa perspectiva crítica.

Do negro exige-se que seja um bom preto; isso posto, o resto vem naturalmente.

Do negro exige-se que seja um bom preto; isso posto, o resto vem naturalmente.

Com pensamentos marcantes, Lélia Gonzalez continua contribuindo para os estudos de gênero e etnia no Brasil mesmo após a sua morte. Não deixe de conferir também algumas das melhores frases de Angela Davis.


 

Escrevo textos, leio uns livros e conto tudo para as minhas gatas.

 

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